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As cooperativas de produção
As artes plásticas e o artesanato estiveram nestes anos iniciais de mãos dadas. Politicamente, o artesanato era considerado como uma “arte popular”, desprezada até então, que importava agora conhecer e divulgar. A questão da comercialização das obras de arte e artesanato era um assunto sensível, já que o mercado de arte se tinha reduzido drasticamente, pela saída de grande número de colonos e pela ausência de turistas, e ainda pela inexistência de ferramentas e outros materiais de trabalho, afectando gravemente artistas e artesãos.
O artesanato local tinha ganho desde a década sessenta uma vitalidade notável, fruto da euforia económica que então se vivia. Um grupo numeroso de produtores encontrava-se localizado nos bairros de Xipamanine, Choupal, Chinhambanine, faltando-lhes, no entanto, apoio para poderem tornar visível esta produção tanto ao nível nacional como internacional. Desde Dezembro de 1973 que a Junta de Acção Social no Trabalho (JAST) tinha chamado a si a responsabilidade de promover o artesanato moçambicano. Foi assim que nasceu a feira semanal que ainda hoje se realiza na Praça 25 de Junho. Ainda que não estivesse posta de parte a construção, em áreas suburbanas, de núcleos promotores da arte africana, a preocupação inicial passava pela construção de um pavilhão principal naquela praça, onde se exibissem colectivamente os trabalhos daqueles artistas anónimos.
As mudanças ocorridas após 1974 deram maior dinamismo à intervenção da JAST. Perante a difícil situação económica em que viviam os artistas e artesãos, tentou-se encontrar uma resposta através de múltiplas saídas: a organização colectiva de artistas e artesãos, a criação de locais permanentes de exposição e a promoção internacional da arte e artesanato moçambicano.
Datam do último trimestre de 1976 as primeiras tentativas de organização colectiva dos artesãos. A JAST tinha um projecto ambicioso de formar cooperativas e pré-cooperativas em todo o País, os chamados “Centros de Cooperação de Trabalhadores”, e o estabelecimento de uma política de preços que conduzisse à valorização do trabalho dos artífices. Na linha de prioridade estavam então a Cooperativa de Pau Preto de Nampula, merecendo ainda iguais atenções as cooperativas do Ibo (trabalhos em prata), Mecúfi (trabalhos em palha), Quelimane (tapeçaria) e ainda a Cooperativa dos Diminuídos Físicos em Maputo, já nesta altura com graves dificuldades financeiras. Ainda para a capital, pretendia-se a criação de um centro de cooperação que englobasse centenas de artesãos que aqui trabalhavam. A constituição de cooperativas de artesãos foi uma constante dos primeiros anos, e existia a percepção que a organização colectiva e o recenseamento dos artesãos era uma saída possível para a crise do sector.
A criação do Centro Organizativo dos Artistas Plásticos e Artesãos é fruto desta lógica, que se supunha capaz de resolver as dificuldades então existentes.
A organização de uma cooperativa de artistas foi o caminho que se encontrou para a aquisição dos materiais necessários para a sua actividade, enquanto que face à inexistência dum mercado de arte com alguma importância, se pensava entregar as obras ornamentais dos edifícios públicos a estes profissionais.
A dificuldade em obter materiais de trabalho só veio a ser resolvida muito mais tarde, em 1990, quando a empresa Artesanato Loja-Galeria criou, juntamente com uma livraria e papelaria da cidade, um serviço especializado nesta área.
O Centro começa a manifestar-se em finais de 1977, com a programação de exposições regulares, com artistas plásticos e artesãos, após se terem estabelecido os mecanismos de integração destes últimos na respectiva associação. A primeira exposição realizou-se a 20 de Janeiro de 1978, integrando obras de artesanato, batik, cerâmica, desenho, escultura, fotografia, gravura e pintura. Durante muitos anos o Centro terá uma existência difícil.
A JAST tentou ainda a promoção internacional do artesanato moçambicano através de catálogos em português, inglês e francês. Já nessa altura peças de artesanato moçambicano estiveram expostas em feiras na Bulgária, Zâmbia e Argélia. A organização de exposições internacionais de arte moçambicana, coordenadas pelos próprios departamentos estatais daquele sector, foi uma das soluções encontradas para as diversas modalidades artísticas. A primeira destas exposições realizou-se logo em Abril de 1977, no Museu de Etnografia de Leipzig, na ex-República Democrática Alemã. A arte e o artesanato foram também expostos no pavilhão do Governo moçambicano na Feira Internacional de Maputo (FACIM). O Centro Organizativo fez aqui várias mostras durante aquele evento, a primeira das quais na edição de 1978, apresentando escultura maconde, proveniente do Museu de Nampula, do Sector de Artesanato da Direcção Nacional de Cultura e dos artesãos do Centro propriamente dito. No ano seguinte, para além de malas, mesas, cadeiras e estantes de madeira trabalhada, foram apresentadas obras de pintura, deseho, escultura e batik de artistas da província de Maputo. Esporadicamente, a nível interno, em eventos políticos de nível internacional, tentou-se criar locais de venda nos principais hotéis
O Historiador: Dr. António Sopa


