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Centros culturais, ateliers, workshops e concursos de arte

O início da década 80 é marcado pela abertura de centros culturais, por iniciativa de alguns países com representação em Moçambique. O primeiro destes centros, o Centro de Estudos Brasileiros começou a ser concebido nos finais da década oitenta, passando a contar com duas galerias de arte, uma destinada a exposição permanente e outra a exposições temporárias, uma biblioteca, um centro de documentação, um laboratório de línguas e um auditório.

A ideia de um Centro Cultural Franco-Moçambicano nasce numa reunião da Comissão de Cooperação França-Moçambique, realizada em 1990, tendo depois o projecto sido implementado pela Missão Francesa de Cooperação. A sua localização permitiu-lhe a instalação de uma biblioteca, sala de documentação técnica, auditório de cento e cinquenta lugares, um teatro ao ar livre para seiscentos lugares, salas de conferências, etc.

Se os dois primeiros centros se destacam pela actividade e dimensão, o Centro Cultural Português, criado em 1983, é o mais antigo do País. Durante muitos anos as suas instalações eram diminutas para a actividade que pretendia realizar, tendo-se procedido à sua ampliação apenas em 1997. Tem, desde essa altura, revelado um dinamismo inusitado de exposições, ao lado de outras iniciativas importantes, como seja a edição de livros de autores moçambicanos. Com muito menor actividade foi ainda inaugurado, em 19 de Outubro de 1992, o Centro Cultural Cubano-Moçambicano Nicolas Guillen, equipado com uma biblioteca, um salão de vídeo e um outro de exposições.

Para além destes centros culturais pouco mais há a este nível. Algumas empresas e instituições têm promovido desde inícios da década noventa, de forma regular ou esporádica, concursos de arte. O Museu Nacional de Arte começou a organizar desde 1991, de forma regular, exposições colectivas anuais. Alguns anos depois, em 1995, a Casa da Cultura do Alto-Maé lançara igualmente o concurso “Descobertas”, abrangendo fundamentalmente os jovens artistas das províncias de Sofala, Nampula, Gaza, Inhambane e Maputo. Estas e outras iniciativas levaram alguns nomes moçambicanos ao reconhecimento internacional.

O que mais caracteriza este período é o surgimento de múltiplas iniciativas, lideradas pelos próprios artistas, com vista a recriar novos meios para o desenvolvimento da sua actividade. A pintora Fátima Fernandes foi a iniciadora do movimento de workshops no País e esteve igualmente na coordenação destes primeiros eventos internacionais. Este movimento artístico tem sido ultimamente liderado pelo Núcleo de Arte, ligado a campanhas cívicas sobre as mais variadas temáticas, sendo os resultados depois apresentados publicamente.

Alguns artistas abrem ateliers, que não são mais do que salas de exposição privadas, visando a sua própria promoção ou a de outros artistas seus amigos.

Ainda nesta viragem do século até agora, têm surgido, com maior ou menor sucesso, algumas empresas promotoras de arte e algumas novas associações artísticas. Destaque-se a Arte Feliz que nasce em Maputo em Abril de 1996, tendo um núcleo fundador de dez artistas moçambicanos e dois estrangeiros. A associação tinha por objectivo fundamental a promoção de novos conceitos de arte, tentando dar oportunidade aos artistas menos conhecidos. No seu programa de acção priorizava-se a investigação, estudo e promoção das artes plásticas em todos os escalões etários, abertura de um projecto para uso da arte como terapia de crianças traumatizadas e organização de uma base de dados sobre a arte moçambicana. Pensava-se então que, através da cooperação com outras organizações, fosse possível a abertura de dez galerias de arte e trabalho, uma sala de exposições e biblioteca. Mas o projecto mais original passava pela instalação de uma aldeia no distrito da Namaacha, virada para o desenvolvimento das artes plásticas e actividades produtivas.

Hoje as iniciativas mantêm-se e o objectivo fundamental é dar a conhecer cada vez mais o que de extraordinariamente bonito e com qualidade se faz neste País.

O Historiador: Dr. António Sopa


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