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O período pós-Independência

A arte produzida no período pós-Independência está claramente influenciada pelo ambiente político que então se vivia e exprimia-se de forma significativa através dos títulos das obras expostas. Estas retratavam ainda o sofrimento do período colonial, ou os acontecimentos do momento e a nova vida após a Independência. Mas ainda durante muito tempo os artistas exprimirão sobretudo as dificuldades vividas, estando ausentes as “afirmações de alegria e de excitação do novo Moçambique”, “as expressões concretas das lutas gigantescas que se travavam neste país para transformar as vidas, os pensamentos e a esperança de milhões de pessoas”. Pelo contrário, as expressões eram de “grande tristeza”, de “combate contra os demónios interiores”, de “fatalismo pungente”, reveladas pelos “rostos geralmente impassíveis e posições físicas torturadas”.

Muitas vezes estas obras não reflectiam tanto as mudanças estéticas significativas no percurso destes artistas, mas apenas uma tentativa de documentar os acontecimentos que então se precipitavam em cadeia. Isto era ainda confirmado em 1977, no decorrer da Ofensiva Cultural das Classes Trabalhadoras, quando se dizia que os artistas expunham quadros e esculturas sem nenhum significado, aos quais davam “títulos muito pomposos, às vezes palavras de ordem do Partido”.
A iniciativa mais original, ocorrida durante este breve período de transição, foi a exposição itinerante de artes plásticas e artesanato, organizada pela Associação Africana de Lourenço Marques, que percorreu todo o território, sendo constantemente enriquecida com novas peças, oferecidas nos diferentes locais por onde passava. Esta exposição acabou por ser inaugurada em Lourenço Marques, em 22 de Março de 1975.

A grande “exposição de cultura nacional”, que viria a decorrer durante a independência do país, visando revelar “a capacidade criadora das massas e a personalidade moçambicana”, marcou definitivamente uma prática que acabou depois por se afirmar durante os anos imediatos e que passava, quase obrigatoriamente, pela realização deste tipo de eventos em datas e acontecimentos importantes do calendário político, numa mistura ecléctica de objectos.

Estas exposições tornaram-se momentos previlegiados, já que aos artistas lhes restavam poucas alternativas para apresentação pública dos seus trabalhos, devido ao encerramento das galerias comerciais da cidade dedicadas a esta actividade. Só a Casa Amarela, que tinha ganho estatuto de galeria municipal, continuara ainda a desenvolver actividade regular até princípios de 1976. A partir desta data as suas salas ficaram quase que exclusivamente reservadas para as exposições de propaganda, realizadas a propósito dos dias nacionais dos diferentes países socialistas representados em Moçambique. A Sociedade de Estudos é extinta, com o pretexto de os seus objectivos e estatutos serem incompatíveis com a nova realidade política, encerrando as suas actividades a partir de 19 de Agosto de 1975. As outras associações, que também podiam ter desempenhado um papel importante nesta área, passavam por uma fase de profunda desorientação, tentando definir um novo espaço de actuação, acabando por ser igualmente fechadas logo em inícios de 1976.

Em 1977, foram tomadas medidas políticas que, num futuro breve, afectaram profundamente a vida artística local. Em 3 de Fevereiro de 1977, no seu III Congresso, a Frelimo define-se como um partido marxista-leninista, e a “pureza” revolucionária alastra-se a todas as actividades da vida nacional, com as consequências que daí advêm. Do ponto de vista cultural, um dos actos mais violentos é aquele que interdita em 15 de Junho de 1977 os espectáculos culturais e publicitários, impedindo igualmente os empresários de proceder a ensaios e de manter quaisquer relações profissionais com os artistas, até que nova legislação fosse aprovada.

O Historiador: Dr. António Sopa


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